Outubro 06, 2009
Junho 19, 2009
Por meio das relações mediatizadas
Não comprei um barco. E aparentemente tampouco matei o blog. Eu pretendia, e pretendia adotar o twitter como forma de existência virtual, mas ao fim abandono o twitter e volto para cá. Ainda que me agrade a idéia de enunciados de 140 caracteres, terminei por descobrir que muito mais que um serviço de microblogging, o twitter é um espaço de conversas entre amigos que se dão replys, retwits, comentam assuntos de interesse comum e convidam para o bar do fim de semana.
E é hora de aceitar que eu não estou no mesmo meio que meus amigos de twitter (que eram os meus amigos de mundo físico porto-alegrense). Acontece que eu não sei se chove torrencialmente em Porto Alegre, pouco se me dá se Inter e Grêmio ganham ou perdem, não comparecerei tão cedo a nenhuma festa do Beco e em nada me interessa o que o STF decide sobre o valor do meu diploma que já não vale nada mesmo neste país vizinho.
Acessar o twitter estava sendo mais ou menos como acompanhar um estranho reality show em que eu conhecia os personagens mas, no fundo, não entendia bem o enredo. Por mais que eu ainda me intere das notícias brasileiras, já não pego no ar as referências ao desgoverno Yeda. Por mais que eu saiba que a febre amarela se espalha pelo estado, a doença que domina minhas conversas atuais é a gripe porcina que já está na cidade (esta cidade de aqui, não a de lá – e agora percebo que é justo essa inversão de aqui e lá, o meu aqui sendo o lá dos meus amigos gaúchos e vice-versa, que me impede de ver graça no twiter).
A graça de saber que alguém está emburrado no trabalho é justamente poder dizer “ei, eu também, ceva às sete na cidade baixa?”. A graça de saber que alguém molhou as meias em uma poça, está tomando café com chocolate ou jogou uma vassoura contra a televisão quando apareceu o Sant’Anna é justamente a possibilidade de que se tenha passado pela mesma situação.
Por isso, abandono o twitter, que me parece muito mais um espaço de compartilhamento, para voltar ao blog, que tem mais cara de espaço de trocas. A gente não pode ter um diálogo, então eu conto e vocês me contam, cada um a seu turno. Da mesma maneira que me resulta às vezes difícil manter uma conversa de chat, mas sei que os laços com a cidade de lá se mantêm tão fortes quanto antes, firmados por longos e-mail escritos ao largo de numerosas tardes.
Não comprei um barco. Não sei para onde os ventos me levam. Mas sei de onde venho e sei que, não importa o caminho percorrido, a gente é um pouco feito da terra em que nasceu.
Junho 08, 2009
Depois de uma mentira deslavada
Março 20, 2009
Só pra dizer
Março 13, 2009
É preciso falar para se defender. E é preciso palavras para falar.
Minhas amigas e eu confidenciávamos umas as outras, trocávamos histórias, compartilhávamos a dor, enquanto mantinhamos tudo escondido dos adultos nas nossas vidas. Afinal, a quem poderíamos contar? Isso não era estupro - não se encaixava na definição. Nós é que devíamos ter pensado melhor. Seríamos nós que levaríamos a culpa.
Aos 14 anos, eu não tinha as palavras para falar da minha experiência e torná-la real. Sem essas palavras, eu me vi silenciosa e impotente, aterrada pelo conhecimento do que não acontecera, mas incapaz de me libertar falando do que de fato acontecera.
Não-estupro acontece de várias formas - normalmente conhecido por outros nomes. O que aconteceu comigo foi agressão sexual. Não é a mesma coisa que estupro, mas é maléfico e doloroso. Minhas amigas passaram por estupro presumido, molestamento e coerção.
Março 12, 2009
Quando é difícil dizer

Março 10, 2009
Dose homeopática de beleza
- Es feo y triste - le dijo a Fermina Daza -, pero es todo amor.
Março 09, 2009
Feng Shui psíquico
Março 08, 2009
O experimento da prisão
Março 07, 2009
Voltando aos experimentos humanos
Março 06, 2009
Algas marinhas
Março 05, 2009
O assassino bom
Março 04, 2009
Matar uma pessoa para salvar cinco
Com perguntas simples, o teste demonstra como nossas crenças podem ser bem mais frágeis do que supomos. Uma questão apresenta o seguinte cenário: John está em uma estação de trem e vê que há um vagão solto correndo pelos trilhos. O vagão está indo em direção a cinco trabalhadores. No outro trilho, há apenas uma pessoa. John está, por acaso, ao lado de uma alavanca que pode mudar a direção dos trilhos e fazer com que o vagão passe por cima de apenas uma pessoa, ao invés de cinco. É aceitável que John mude a direção dos trilhos?
A maioria das pessoas responde que é moralmente aceitável sacrificar uma pessoa para salvar cinco. Porém, alterando-se levemente o cenário, as respostas mudam drasticamente.
De volta a John: ele está na estação de trem e o vagão solto está correndo na direção de cinco pessoas. Ao lado de John, está um homem extremamente gordo que, se jogado nos trilhos, interromperia o trajeto do vagão, matando o homem gordo e salvando os outros cinco. É aceitável que John jogue o homem nos trilhos?
A maioria das pessoas responde que não, ainda que a conclusão seja essencialmente a mesma: sacrificar uma pessoa para salvar cinco.
O mecanismo que nos faz aceitar que John mexa uma alavanca mas não que ele jogue um homem nos trilhos está provavelmente ligado às diferenças entre ação e não-ação e ação direta e indireta. Hélio Schwartsman, ex-colunista da Folha, escreveu (sobre a mesma questão ainda que com outros personagens) que, no primeiro caso, a morte de um inocente foi como um efeito colateral de uma ação - mexer a alavanca - que visava salvar pessoas. Já no segundo caso, a ação - jogar o gordo nos trilhos - visava a morte de uma pessoa que teria o efeito colateral de salvar outras. O colunista escreve:
Estamos aqui, se quisermos, diante da materialização empírica do imperativo categórico kantiano, que nos proíbe de usar seres humanos como meio para obter um fim (mesmo que nobre). Se assim não fosse, um médico estaria livre para capturar um sujeito saudável que passasse diante do pronto-socorro e, arrancando-lhe rins, fígado e coração para transplante, salvar a vida de quatro doentes.Divertido, não?
Março 03, 2009
Compro filósofo
Meu filósofo vai ter a única função de debater comigo qualquer tema que eu escolha e esclarecer algumas questões que me deixam cheios de nós os pensamentos. Hoje, por exemplo, eu discutiria essa nova onda de filosofia experimental. A idéia por trás disso é que os filósofos devem sair de suas poltronas e testar suas teorias empiricamente.
Os testes empíricos seriam entrevistas e experimentos de laboratórios com pessoas comuns. Por exemplo, digamos que meu filósofo está estudando a moral, um problema muy filosófico. Ele vai, então, chamar um número de pessoas, colocá-las frente a uma pergunta e ver como elas respondem. O vídeo explica melhor que eu:
O que me intriga é que se eu visse esse vídeo sem saber nada sobre filosofia experimental, eu não pensaria duas vezes antes de dizer que é um experimento psicológico. Por isso, hoje, tivesse eu um iate, um palácio e um jato, eu chamaria meu filósofo e perguntaria afinal, esse negózdi filosofia experimental é filosofia ou psicologia? Ou as duas coisas podem andar juntas? Eu me surpreendo porque esse povo da filosofia costuma ser um pessoal SÉRIO. No meu mundinho de estereótipos, o tipo de gente que quer entrar nos altos círculos intelectuais da filosofia despreza o tipo de gente que busca ajuda com cientistas menores, como os pobres psicólogos.
Particularmente, eu acharia ótimo que eles se juntassem. Adoro o tipo de problema que se coloca no vídeo acima. Poderia passar horas pensando nessas coisas. De fato, já passei. Por isso, amanhã, volto para falar dos pesquisadores do departamento de psicologia de Harvard, uma galera que também passa horas pensando nessas coisas.
Março 02, 2009
Pelo humor negro
Gelado, expresso ou com leite
Fevereiro 28, 2009
Fevereiro 27, 2009
Doses homeopáticas de beleza
Eu amo a minha morada
A Terra triste.
É sofrida e finita
E sobrevive.
Eu amo o Homem-luz
Que há em mim.
É poeira e paixão
E acredita.
Fevereiro 26, 2009
Ainda é feio gostar de ver o Oscar?










